Time do Jardim Santa Eudóxia cresce no momento decisivo, elimina a Vila Rica, homenageia um ídolo da quebrada e aposta em Victor Souza e no artilheiro Cascão para seguir fazendo história.
Em sua estreia na divisão principal do futebol amador de Campinas, o Cevada Futebol Clube transformou uma história nascida na porta de um bar do Jardim Santa Eudóxia em campanha de destaque na Série Ouro. A equipe garantiu vaga nas quartas de final do Municipal ao vencer a tradicional Vila Rica, também conhecida como Tipo Colômbia, por 1 a 0, com gol de Cascão, vice-artilheiro da competição com cinco gols. Agora, “o time de pingaiada”, como gostam de serem chamados, se prepara para enfrentar o Parque Brasília, considerado por muitos a maior força do amador campineiro na atualidade.
O Cevada foi fundado em 18 de julho de 2018 por Lucas Escotão e Márcio Silva, amigos de longa data que reuniam a quebrada em frente a um bar do bairro. A equipe nasceu em clima de descontração, com conversas longas, gargalhadas e garrafas de cerveja que inspiraram o nome do clube. A irreverência sempre esteve presente, a ponto de o grupo adotar Zeca Pagodinho como mascote. As cores amarelo e preto são uma homenagem ao Só Praia, tradicional time do Jardim São Fernando e referência da região. Desde então, o clube cresceu dentro e fora de campo. Em 2023, foi vice-campeão da Série Bronze. No ano seguinte, alcançou as quartas da Série Prata. Em 2025, finalmente chegou ao topo, entre os grandes da cidade.
O Cevada percorre a Série Ouro com campanha marcada pela regularidade. Foram duas vitórias, duas derrotas e um empate no grupo C, que também tinha a própria Vila Rica como adversária. No mata-mata, o time mostrou coragem, força coletiva e eficiência ofensiva, especialmente com Cascão, que vive grande fase e figura entre os melhores atacantes do campeonato. Ele se tornou símbolo da arrancada que embalou a equipe no momento decisivo.

Outro destaque é o meia Victor Souza. O camisa 10 dita o ritmo do jogo como um clássico articulador, usando a experiência para organizar o meio-campo, cadenciar quando necessário e encontrar espaços nos momentos de maior pressão. Sua liderança técnica tem sido essencial para manter a equipe estabilizada nos jogos mais duros da elite do amador.
A comissão técnica formada por Markinhos, conhecido como Vassoura, Pingo e Lorinho também ganhou protagonismo na campanha. Para eles, o duelo das quartas será um dos maiores desafios da história do clube. “Sabemos que a equipe do Parque é favorita até mesmo para o título, mas dentro das quatro linhas o favoritismo não entra, pretendemos surpreender e buscar a classificação para a semifinal”, afirmou Markinhos, confiante na força do grupo.
O presidente Lucas Escotão sabe que o momento é único e pede que a comunidade abrace o time nesta fase decisiva. “Venho pedir o apoio da nossa torcida e dos moradores da região. Nosso bairro, que sempre teve grandes times, estava sentindo falta de uma equipe representando a quebrada em um campeonato tão respeitado como a Série Ouro. Queremos que todos compareçam em peso para nos apoiar”, destacou.
Homenagem
O time também carrega uma motivação extra. A classificação veio dias após a morte de Guilherme Chagas, o Guigui, ex-jogador do Cevada que sofreu um acidente de moto na semana passada. Ele era querido por todos no Jardim São Fernando e marcou seu nome na história do clube ao fazer o gol do título em um torneio no Jardim São Pedro, além de ser peça chave no acesso da Série Bronze para a Série Prata em 2023. A campanha atual ganhou um significado ainda mais profundo. O elenco dedica cada dia, cada jogo e cada comemoração à memória do amigo que fez da bola sua eterna companheira.

O Cevada chega às quartas carregando a força das ruas, o peso das memórias da quebrada e o sonho de continuar escrevendo sua própria história entre os destaques do futebol amador campineiro.




